O Vale do Javari

A 1.136 quilômetros de Manaus no extremo oeste do estado do Amazonas, fica localizado o Município de Atalaia do Norte onde mais de 80% de suas terras abriga a Terra Indígena (TI) Vale do Javari com mais de 8.5 milhões de hectares, é conhecida mundialmente por abrigar a maior concentração de índios isolados em todo o mundo: atualmente a Fundação Nacional do Índio-FUNAI, trabalha com registro de 16 etnias que vivem sem contato algum com o mundo dos “brancos’’. Distante á muitos quilômetros dos grandes centros urbanos, o acesso é restrito, e apenas por via aéreo ou fluvial se chega ao Vale do Javari, sem eixo rodoviário ou ferroviário próximo.

 As Etnias

São 5 as etnias que mantem contato com o “homem branco”, sendo elas: Matis, Kulina, Kanamary, Mayuruna, Marubo e a de recente contato denominada Korubo. Embrenhadas na imensidão da floresta, as mesmas estão localizadas as margens dos altos rios e igarapés que banham o vale do Javari, vivendo em harmonia com a natureza, morando em malocas de palha, que só se percebe as diferenças étnicas por suas belas e grandiosas arquiteturas:

> Na calha do Rio Javari que faz divisa do Brasil com a República do Peru, encontram-se as etnias Kanamary e Mayuruna;

> Na calha do Rio Javari, em direção ao seu afluente Rio Curuçá encontram-se as etnias Kanamary, Mayuruna e Marubo;

> Na calha do Rio Itaquaí, seguindo em direção ao seu afluente Rio Quixito encontram-se os índios isolados conhecidos como (isolados do senhor Joao Sulamba), este por ser o primeiro morador ribeirinho a fazer contato com estes isolados até hoje desconhecidos. Segundo relatos de parentes o mesmo se embrenhou na floresta e decidiu viver entre os indígenas

> Na calha do Rio Itaquaí, encontra-se os indígenas da etnia Kanamary e seguindo em direção ao seu afluente Rio Branco encontram-se as etnias Matis.

Evento Curuçá ou Tunguska brasileiro

O Evento Curuçá ou Tunguska brasileiro foi uma queda cósmica ocorrida em 13 de agosto de 1930 no município de Atalaia do Norte/AM, bem no meio do coração da região do Vale do Javari, no alto Rio Curuçá. À época, ribeirinhos e indígenas da região afirmaram ter visto “bolas de fogo” caindo do céu sobre a margem direita do Rio Curuçá. O fenômeno ficou esquecido por mais de cinquenta anos, tendo sido “reavivado” após o astrônomo inglês Mark E. Bailey ter encontrado, em 1995, um artigo de cientistas russos citando um trabalho anterior de um conhecido geofísico russo, Leonid Kulik (1883-1942), no qual o autor mencionava que, em 1930, teria acontecido, na floresta amazônica, um evento similar ao registrado na região da bacia do rio Tunguska Pedregoso, na Sibéria. Bailey encontrou essa notícia publicada, em tom sensacionalista, numa edição de 1931 do jornal inglês The Daily Telegraph. Ele decidiu então procurar o artigo fonte, que estaria no Vaticano. Com dois estudantes partiu à procura desse artigo nos arquivos do jornalL’Osservatore Romano. Acabou por encontrar, numa edição de 1931 de L’Osservatore, o relato do monge capuchinho Fedele d’Alviano, que visitara a região apenas cinco dias após o ocorrido. Na época, frei Fedele entrevistara diversas pessoas da região, que lhe disseram ter ficado muito assustadas com o ocorrido. Segundo Bailey, o evento do Rio Curuçá foi uma das quedas cósmicas mais importantes do século XX. Investigando a data do evento, acredita-se que se trate de um meteorito proveniente da chuva de meteoros das Perseidas, que riscam os céus no mês de agosto e cujo pico máximo é a 12 de agosto.

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